O artigo sobre padel publicado pelo L'Express em 11 de maio não deixou alguns jogadores indiferentes. Entre eles, Jean-Michel Leygue, jogador amador há cerca de dez anos. ,  um observador atento da evolução deste esporte e, por acaso (é claro!), pai de um membro da seleção francesa. Thomas LeygueEle queria responder. Sem negar certas deficiências que podem ser encontradas na área, acredita que o artigo transmite uma imagem redutiva de uma disciplina que atualmente vivencia um crescimento global sem precedentes. 

Uma observação compartilhada sobre a explosão do padel

Jean-Michel Leygue começa por reconhecer vários pontos levantados na coluna. Sim, o padel está a viver um crescimento espetacular. Com mais de  35 milhões de profissionais no mundo  (Nota do editor: este número deve ser interpretado com cautela, pois provém da Federação Internacional de Padel), consolidou-se como um dos esportes mais dinâmicos do planeta.

A França ilustra perfeitamente essa evolução. Embora a disciplina fosse praticamente desconhecida há trinta anos, agora reúne quase  700 praticantes Na Espanha, o verdadeiro berço do padel, o esporte tem aproximadamente  6 milhões de jogadores o que a torna a segunda atividade esportiva mais praticada depois do futebol.

Outro ponto de concordância: sua acessibilidade. Como destaca Jean-Michel Leygue, o padel permite que iniciantes se divirtam rapidamente, com muito mais facilidade do que outros esportes de raquete ou o golfe.

"Afinal, não existem 35 milhões de idiotas."

O ponto de discordância do profissional é com a imagem, por vezes caricatural, associada ao padel.

Com humor, ele parodia uma canção famosa de Michel Sardou: "Conheço bem o padel, não é nada disso que você está dizendo; não existem 35 milhões de idiotas por aí."

Segundo ele, reduzir os jogadores de padel a pessoas que simplesmente procuram descontrair ou exibir alguma forma de virilidade é uma visão distorcida da realidade.

"Como em todos os esportes, pode-se encontrar algum comportamento excessivo. Mas certamente isso não caracteriza a maioria dos praticantes", acredita ele.

Um esporte baseado na convivialidade

Para Jean-Michel Leygue, o sucesso do padel reside sobretudo no seu aspecto social.

Diferentemente de muitos esportes individuais, o padel é jogado exclusivamente em duplas. Essa característica incentiva a interação, os encontros e os momentos compartilhados.

Os jogos costumam reunir amigos, colegas ou familiares. Os encontros pós-jogo muitas vezes desempenham um papel tão importante quanto o próprio jogo.

"É um esporte que cria laços", resume ele.

Por trás da acessibilidade, esconde-se uma verdadeira complexidade técnica.

Outro equívoco que Jean-Michel Leygue quer combater diz respeito à suposta simplicidade do jogo.

Embora as trocas iniciais sejam relativamente acessíveis, a progressão rapidamente se torna exigente.

Os ricochetes nas paredes de vidro, um aspecto único do padel, exigem meses de prática. A isso se soma o domínio do efeito, movimentos coordenados com o parceiro, padrões táticos e as diversas variações de smash.

"As janelas têm o poder de humilhar os iniciantes por muitos e longos meses", brinca ele.

Essa expertise técnica também explica o rápido desenvolvimento das estruturas de ensino e a proliferação de treinadores especializados na França.

Os números também falam por si: em 2025, a Federação Francesa de Tênis registrou mais de  33.000 torneios oficiais de padel , em todos os níveis.

Profissionais bem diferentes dos estereótipos

Jean-Michel Leygue também quer defender a imagem dos jogadores profissionais.

Segundo ele, a realidade deles é muitas vezes desconhecida do público em geral. Além das competições realizadas a cada duas semanas, os melhores jogadores treinam aproximadamente  20 horas por semana além de uma preparação física diária particularmente rigorosa.

"Eles são verdadeiros atletas", insiste ele.

São atletas que atuam longe dos holofotes da mídia como o tênis ou o golfe, e cujos rendimentos muitas vezes permanecem incomparáveis ​​aos das estrelas dessas modalidades.

No entanto, ele acredita que essa diferença de notoriedade não diminui o comprometimento ou o mérito deles.

Um esporte que agrada a todas as gerações.

Para além do debate, Jean-Michel Leygue destaca uma realidade difícil de contestar: o padel continua a atrair um público cada vez maior.

Há muito associada a uma população de profissionais de meia-idade, agora afeta cada vez mais jovens, mulheres e famílias.

Uma diversidade que, segundo ele, reflete melhor a verdadeira identidade deste esporte do que alguns dos clichês que às vezes são veiculados.

Para o jogador, o crescimento contínuo do padel não se deve apenas a uma moda passageira. Ele se baseia principalmente em uma rara combinação de acessibilidade, convívio, riqueza técnica e espírito de equipe.

Todos esses argumentos explicam por que, em toda a França, os campos continuam a ficar lotados semana após semana.

Franck Binisti

Franck Binisti descobriu o padel no Club des Pyramides em 2009 na região de Paris. Desde então, o padel faz parte da sua vida. Você costuma vê-lo viajando pela França para cobrir os principais eventos franceses de padel.