Poucas semanas após o susto em Miami, Lucas Campagnolo voltou aos gramados com uma perspectiva mais clara do que nunca sobre sua carreira. Em entrevista aos nossos colegas do Marca, o brasileiro fala abertamente sobre sua trajetória, suas dúvidas e seus planos para a próxima temporada. Premier Padel Assunção P2.
Uma lesão que poderia ter mudado tudo.
A lembrança ainda está viva. Em Miami, uma dor aguda no joelho desperta o medo de uma ruptura do ligamento cruzado. Por várias horas, a ansiedade é palpável.
"Se eu tivesse rompido o ligamento cruzado, acho que teria voltado para o Brasil para me dedicar à pecuária."
Por fim, os exames médicos descartaram o pior. Um alívio para o jogador, que admitiu ter vivido um momento de grande ansiedade.
"Eu estava realmente apavorada. Me perguntava o que faria da minha vida, com os contratos, os compromissos..."
Um profundo apego às suas raízes.
Natural de Alegrete, no sul do Brasil, Campagnolo jamais se esqueceu de suas raízes. Entre o padel e a terra da família, construiu sua infância em um ambiente simples.
"Sou uma pessoa muito normal, muito apegada à minha família e à natureza."
Seu pai trabalhava na criação de gado, por isso ele mantém uma forte ligação com esse mundo e não esconde suas intenções para depois de sua carreira.
"Quando me aposentar, voltarei ao Brasil para trabalhar na pecuária. É algo que sempre amei."
A aposta espanhola
Sua chegada à Espanha em 2017 deveria ser temporária. Acabaria se tornando um ponto de virada crucial.
"Eu deveria ter vindo para ficar três meses... e acabei ficando."
Naquela época, ganhar a vida jogando padel estava longe de ser fácil. Para financiar seu dia a dia, ele trabalhava muitas horas dando aulas.
"Eu dava aulas cinco horas por dia para conseguir ganhar a vida."
Um período exigente, mas decisivo para o seu desenvolvimento.
Lesões difíceis de suportar.
A carreira de Campagnolo não tem sido fácil. Em 2023, uma lesão grave prejudicou seu progresso justamente quando ele se aproximava do mais alto nível.
"Eu estava no auge da minha carreira... e tive que parar por três meses. Levei isso muito a mal."
Um grande golpe, principalmente no nível mental, que o obrigou a se reconstruir.
"Na minha cabeça, eu era um jogador... mas quando voltei, eu já não era mais."
Uma personalidade intensa na pista.
Calmo na vida, o brasileiro se transforma completamente quando entra em campo.
"Fora do ringue, sou uma pessoa muito quieta, mas na pista, eu me transformo."
Uma atitude que por vezes é criticada, mas que ele aceita plenamente.
"Dou tudo de coração. Não é para ser desrespeitoso, é apenas o meu jeito de ser."
Um novo projeto com Momo González
Do ponto de vista esportivo, um novo capítulo se inicia com Momo Gonzalez. Uma decisão importante em um circuito cada vez mais competitivo.
"Esta é a oportunidade que eu estava esperando há muito tempo."
Sem olhar muito para o futuro, a Campagnolo prefere manter o foco no trabalho diário.
"O percurso é tão difícil que podemos perder na primeira rodada. O importante é que ambos consigamos dar o nosso melhor."
Uma análise lúcida do padel
O brasileiro também discute a evolução do circuito, particularmente as frequentes mudanças de parceiros.
"Eu tentaria regular o número de trocas de parceiros para dar mais seriedade ao esporte."
Ele também está preocupado com a situação do padel em seu país.
"O padel no Brasil está parado há muito tempo. Falta um projeto concreto."
Entre a gratidão e o realismo
Apesar das dificuldades, a Campagnolo reconhece e valoriza o progresso alcançado.
"Quando vejo aonde o padel me levou, fico muito grato."
Aos 30 anos, ele parece ter encontrado um equilíbrio entre a ambição esportiva e a visão de longo prazo. Entre a competição e um futuro já traçado longe das pistas, no coração do Brasil.
Franck Binisti descobriu o padel no Club des Pyramides em 2009 na região de Paris. Desde então, o padel faz parte da sua vida. Você costuma vê-lo viajando pela França para cobrir os principais eventos franceses de padel.

























































































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